Viola Tropeira

 

ZÉ CARREIRO E CARREIRINHO conheça mais

FLORENCIO , TIÃO DO CARRO, BAMBICO ,JULIÃO,...,  conheça mais

ROBERTO CORREIA  conheça mais

HELENA MEIRELES  conheça mais

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TIÃO CARREIRO E PARDINHO conheça mais

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ESTAMOS PESQUISANDO  : FLORÊNCIO, BAMBICO, JOÃO MULATO,JULIÃO, ZÉ DO RANCHO..

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Página Inicial 1° Geração 2° Geração 3° Geração 4° Geração Letras e Cifras Aulas e Dicas Ponteados e Solos Letras da Dupla

 

 

ZÉ CARREIRO E CARREIRINHO

Os violeiros 

 

Florêncio ( João Batista Pinto) – nascido me Barretos-SP em 1910 , principal parceiro de Raul Torres . Criou inúmeras introduções e acompanhamentos de viola para os clássicos de João Pacifico.

 

Tião do Carro ( João Benedito Urbano) – nascido em Vargem Grande do Sul-SP em 1946 , formou dupla com Mulatinho, gravou viola nos discos de Tião Carreiro , Rolando Boldrin. Foi uns dos violeiros que mais gravou e criou ponteados em gravações de estúdio , fez um disco em 1980 “Uma Viola na Saudade”.

 

Zé do Rancho – nascido em Guapiaçu -SP em 1927, solista de viola , formou trio com Serrinha e Rielinha .Foi de grande importância nas gravações de viola em estúdio .

 

Juilão – nascido em Sorocaba-SP ,foi grande violeiro de estúdio, criou as introduções de Peito Sadio , Boiadeiro Errante. Gravou dois discos solos .

 

Lauripio Pedroso – nascido em Sorocaba-SP , da dupla Irmãos Divino , criou os ponteados de Relógio Quebrado , foi ultimo parceiro de Teddy Vieira , faleceram junto num acidente de carro na Castelinho.

 

Zé Coco do Riachão – nasceu em Brasília de Minas-MG em 1912, foi descoberto aos 65 anos , gravou Brasil Puro em 1980 , Zé Coco do Riachão em 1981 e Vôo das Garças em 1987.

Gedeão da Viola –nasceu em Limeira-SP , foi menino dançador de catira , luthier de viola , lançou o Cd Solos de Viola com a música Pau-Brasil que foi tema do programa Viola Minha Viola.

 

Mazinho Quevedo –nasceu em Adamantina-SP , radicalizado em Araras, foi aluno de Gedeão , tem três Cds gravados .

 

Bambico- nasceu em Umuarama-PR , foi de grande importância na criação do pagode , gravou viola para Jacó e Jacozinho e Tião Carreiro , fez dupla com Bambuê  , gravou Brincando com a Viola na Chantecler .Foi grande amigo de Tião do Carro. Foi um grande criador de introduções para Tião Carreiro.

 

Nova Geração de Violeiros

 

Ivan Vilela , Brás da Viola , Roberto Correa , Paulo Freire e ao fundo Pereira da Viola.

 

Juliana Andrade- nasceu em Taboão da Serra-SP , lançou seu Cd em 1998 .

 

 

ROBERTO CORREIA

Físico e músico, nascido em Campina Verde, no Triângulo Mineiro, residente em Brasília desde 1975, Roberto Correia    oriundo de uma tradicional família de violeiros.

primeiro concerto em Brasília. No mesmo ano, editou o livro "Viola Caipira". Desde então, vem se apresentando em recitais e ministrando cursos sobre a música caipira, viola caipira e viola de concho (típica do pantanal mato-grossense), do Brasil e no exterior, destacando China, Japão, Alemanha, Itália, Portugal, Cuba, México, além de países das Américas do Sul e Central. Gravou os LPs "Marvada Viola" (1987), "Viola Caipira, Um Pequeno Concerto" (1988), "Drummond de Andrade" (1989), "Viola Andarilha" (1989), e diversos CDs, como "Uróboro" (1994), "Crisálida" (1996), "Voz e Viola" (ao lado de Inezita Barroso, com quem ainda gravou "Caipira de Fato" no ano seguinte, disco que ganhou prêmio Sharp) e "No Sertão" (com quinteto de cordas), em 1998, além de trabalhos para o mercado externo. Registrou ainda em vídeo sua pesquisa sobre o instrumento em 1992. Participou da coletânea "Violeiros do Brasil", ao lado de outros 13 colegas do gênero, em 98. No ano seguinte, lançou o CD "Sertão Ponteado".

 

HELENA MEIRELES

Nasceu numa fazenda no pantanal do Mato Grosso do Sul e cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros. Fascinada pelas violas caipiras, a família não permitia que aprendesse a tocar, o que acabou fazendo por conta própria, às escondidas. Aos poucos ficou conhecida entre os boiadeiros da região. Casou-se por imposição dos pais aos 17 anos, abandonando o marido pouco tempo depois para juntar-se a um paraguaio que tocava violão e violino. Separou-se novamente e, resolvida a tocar viola em bares e farras, deixou os filhos dos dois casamentos com pais adotivos e ganhou a estrada até encontrar o terceiro marido, com quem está junto há mais de 35 anos. Depois de desaparecer por mais de 30 anos, foi encontrada bastante doente por uma irmã, que a levou para São Paulo, onde foi "descoberta pela mídia" a partir de uma matéria elogios a na revista norte-americana "Guitar Player". Apresentou-se em um teatro pela primeira vez aos 67 anos, e gravou discos em seguida. Foi escolhida em 1993 pela Guitar Player como uma das "100 mais" por sua atuação nas violas de 6, 8, 10 e 12 cordas

RENATO TEIXEIRA

 

Começou a compor na adolescência, quando morava no interior de São Paulo. Na década de 60 mudou-se para a capital do estado e classificou a música "Dadá Maria", interpretada por Gal Costa (na época ainda Maria da Graça) no festival da TV Record de 1967. No mesmo festival, no ano seguinte, Roberto Carlos foi o intérprete de "Madrasta" de sua autoria. Ficou famoso por ser o compositor de "Romaria", gravada por Elis Regina em 1977. Com a fama, lançou no ano seguinte "Romaria", seu terceiro LP solo e primeiro a ter alguma repercussão. Atuando como modernizador da música regional e caipira, sem descaracterizá-las, participou de coletâneas e gravou o CD "Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho", em 1992. Participou também, ao lado de Xangai, Cida Moreira, Elomar, Geraldo Azevedo, Sivuca e outros, do disco "Cantorias e Cantadores", lançado em 1997.

 

TIÃO CARREIRO E PARDINHO

 

Tião Carreiro- nasceu em Monte Belo-MG, aos cinco anos , veio para Araçatuba ,foi criado numa fazenda paulista . Tocava em circos na região de Araçatuba , tocava violão , decorou a afinação da viola num show de Tônico e Tinoco passando as mãos nas cordas no camarim , admirava Florêncio o violeiro de Barretos de quem ganhou a famosa viola vermelha. Esta enterrado em São Paulo .Para ele ninguém tocava melhor que os violeiros de Barretos. Em 1955 mudou-se de Araçatuba para Val Paraíso . Em Pirajuí num circo conheceu Pardinho –nascido em São Paulo em 1932 , com que formou a dupla Tião Carreiro e Pardinho. Começaram a vida no circo Rapa Rapa , como ele mesmo dizia no circo “Nos éramos violeiros , cantores e amarra cachorro” , depois de seis meses vieram para São Paulo , até então Tião era Zé Mineiro , porém sua primeira gravação foi com Carreirinho substituindo o consagrado Zé Carreiro que estava doente , herdou o nome Carreiro e gravou 78RPMs dos quais a Continental selecionou 14 músicas para o Lp Meu Carro é Minha Vida  lançado em 1962 , a dupla logo se desfez . Aí Tião carreiro e Pardinho gravaram seu primeiro sucesso “Cavaleiros do Bom Jesus” e “ Boiadeiro Punho de Aço”ambas de Teddy Vieira . O sucesso veio com “ Alma de Boêmio” cantando tangos e canções rancheiras . Em 1961 lançou o Rei do Gado de Teddy Vieira e seguiram com grandes sucessos.Em 1965 com a morte de Teddy Vieira , na gravação do programa Canta Viola de Geraldo Meireles na Cultura de São Paulo , Tião interrompeu com lágrima nos olhos , prestando desta forma sua homenagem ao compositor de Itapetininga , que o lançou em disco.

    Em 1966 lança o Lp Pagode na Praça , consagrou pagode de viola e a criação de Carreiro , Teddy Vieira , Moacir e Lourival dos Santos  , compositores paulistas que muito contribuíram para o sucesso de Tião Carreiro.

   O Rio de Piracicaba ou Rio de Lágrimas de Piraci , Lourival , Tião Carreiro foi a consagração definitiva da dupla.Tião casara com Nair em Araçatuba em 1954 .

   Em 1979 Tião Carreiro lança um Cd de solo de viola caipira.

   JOSÉ DIAS NUNES, ou TIÃO CARREIRO, nasceu em 13 de Dezembro de 1934 e faleceu em 15 de Outubro de 1993. Era um compositor invejável, e na viola era primeiro sem segundo. Não seria exagero chamar o Rei do Pagode também de o Rei da Viola ou o Rei dos Violeiros, já que foi ele quem deu à viola e à moda de viola status e sua devida importância. Ele estava para a Viola assim como Pelé está para a bola. Que o diga Almir Sater, um de seus mais fiéis pupilos. Conta-se que depois de ouvir Tião tocar, Almir por pouco não desistiu da carreira de violeiro. A viola nas mãos mágicas de Tião Carreiro parecia ganhar vida própria, pois tão bem se entendiam. Fez escola! Cantou sob os pseudônimos de Zezinho, Palmeirinha, Lenço Preto e Zé Mineiro. Fez dupla com Lenço Verde, Lenço Branco e Zé Mineiro. Lenço Verde e Coqueirinho eram a mesma pessoa, Waldomiro, um primo de Tião. Nos anos 50, conheceu Diogo Mulero, o Palmeira , que o apresentou a Teddy Vieira, e este lhe deu a oportunidade de gravar o seu 1º disco , e o batizou de Tião Carreiro. Depois de gravar com Carrerinho; fez dupla com Pardinho (que foi o parceiro que mais o completou); Paraíso e por final Praiano.

ANTÔNIO HENRIQUE DE LIMA, ou PARDINHO,nasceu  em São Carlos , em 14 de agosto de 1.932. Mestre no Violão, sua destreza nos solos podem ser ouvidas em seus discos gravados. Dono de um compasso incomparável, soube como ninguém dar a base perfeita para os solos de viola de Tião. Em todas as duplas que formou, fez sempre a primeira voz. Após o rompimento da parceria com Tião, fez dupla com Pardal e depois com João Mulato.
     Tião Carreiro e Pardinho, merecidamente cominados "Os Reis do Pagode", são inegavelmente os maiorais desse gênero musical paulista, criado por Teddy Vieira (1922/ 1965) e Lourival dos Santos, em agosto de 1960. Em 1.954 se conheceram, e, em 1.956 gravaram o 1º de uma série de 15 discos de 78 Rpm .A partir daí, nasceu a dupla de maior fenômeno da música raiz. Tornaram-se ídolos! Cantaram em circos, cinemas e teatros, e por muitas vezes se viram forçados a repetirem seus espetáculos em duas ou três sessões. Apresentaram-se em quase todas as cidade interioranas de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Paraná. Dupla simples e amiga de todos, chegavam a se misturar à multidão admiradora, dada a sua simpatia e naturalidade. Freqüentemente encontravam-se com um sorriso nos lábios. Foram Artistas exclusivos da Gravadora Chantecler. Tinham seus discos rapidamente esgotados e tudo que faziam eram pensando em proporcionar melhor qualidade artística ao seu imenso público.

 

O Pagode
 


     Bem antes, no começo de tudo, pagode era sinônimo de zoada feita no fundo do quintal. Como o samba. No fundo do quintal se costumava tocar, cantar, dançar, comer e beber. Num tempo não muito longe, pagode era, pois, o mesmo que festa, festança. Das mais puras, longas e bonitas. Varavam madrugadas inteiras. A cachaça dava no meio da canela. Sem forrobodó. - "Vamo prum pagode?" - Já se sabia: Vamos a uma festa na casa de fulano de tal. Pagode também é o mesmo que templo, construção suntuosa, grande, comum em alguns países asiáticos, onde pratica-se o exercício de adoração a deuses, figuras imponentes que o imaginário popular põe acima do bem e do mal. Há pagodes na China e no Japão, por exemplo. Fora isso, pagode é verbo intransitivo direto. Diz-se: - "Vamo pogodeá?" Quer dizer, vamos farrear, foliar, vadiar, festejar qualquer coisa. O termo ou expressão pagode também pode ser empregado no sentido de zombaria ou desfeita. Fulano é um tolo, vive no pagode. Coisa de vagabundo. Porém, o PAGODE também é um gênero musical muito bonito, como o baião, o forró, o batuque, o samba ou mesmo a bossa nova.

 

A História do Pagode
 


    
Entre janeiro e fevereiro de 1959; o mineiro de Montes Claros Tião Carreiro (José Dias Nunes) e o paulista de Bofete Carreirinho (Adauto Ezequiel) compuseram e gravaram, no dia 3 de março desse mesmo ano, uma musica a que deram o curioso titulo de Pagode, uma espécie de recortado sem ser recortado, que é uma forma de dança (e música) bastante comum no interior de São Paulo e outras regiões do país, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Foi aí que um compositor genial, Lourival dos Santos, chamou seu amigo Teddy Vieira a um canto prum dedo de prosa. Conversa vai, conversa vem, Tião foi chamado também para alguns esclarecimentos e troca de idéias. Logo após esse encontro, Teddy e Lourival compuseram, num novo ritmo (pagode) Pagode Em Brasília, originalmente gravado por Tião Carreiro e Pardinho há mais 34 anos. A criação desse gênero musical coincidiu com a inauguração de Brasília, o que levou seus autores a serem homenageados pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek.

 

Os Criadores do Pagode

 

Teddy Vieira, cujo nome completo era Teddy Vieira de Azevedo, nasceu na cidade paulista de Itapetininga no dia 23 de dezembro de 1922 e morreu em 1965, no dia 16 de dezembro. Deixou cerca de 200 composições de sua autoria gravadas pelos mais destacados intérpretes da chamada música caipira. Lourival dos Santos, um paulista de Três Barras, distrito de Guaratinguetá, nasceu no dia 11 de outubro de 1917 e compôs, até agora, algo em torno de 1.300 músicas. Entre seus vários parceiros. destacam-se o próprio Teddy, Sulino, Raul Torres, Piraci, Jacó, Serrinha., Téo Azevedo, Jorge Paulo e, naturalmente, Tião Carreiro. - "Muita gente me pergunta como foi que aprendi a tocar viola. Praticamente aprendi sozinho, nunca tive um professor. No ano de 1950 eu tinha apenas 13 anos e cantava no Circo Giglio. O nome da dupla que eu formava era Palmeirinha e Coqueirinho e o proprietário do circo me disse que a dupla 

de violeiros tinha que tocar viola e, na época, eu tocava violão. No mesmo ano veio cantar neste circo a dupla "Coração do Brasil"  Tonico e Tinoco, na cidade de Araçatuba, em São Paulo. Durante o tempo em que eles estavam no hotel, Tinoco deixou a viola no circo e eu decorei a afinação escondido. Logo em seguida, ganhei uma violinha de presente, que foi pintada pelo Romeu, pintor lá de Araçatuba. A partir dai, me inspirei num dos maiores violeiros da época, Florêncio, da dupla Torres e Florêncio, infelizmente já falecidos, è hoje tenho a felicidade de ter a viola vermelha que pertenceu a ele .

Aproveito a oportunidade para agradecer a meu grande amigo Moreno, da dupla Moreno e Moreninho, que me cedeu a viola. Fiz uma grande homenagem, compondo juntamente com Jesus Belmiro uma moda com o título de "Viola Vermelha ". A minha homenagem a todos que abraçam e tratam a viola com carinho. Vou citar alguns nomes, como Almir Sater, Renato de Andrade, Zé do Rancho, Tião do Carro, Bambico, Airtom Vieira, Roberto Correia, Divino, Ronaldo da Viola, Goiano, maestro Oscar Safuan, Itapuã e Moreno. O sertanejo representa tudo para mim, porque eu vivo da música sertaneja, admirada por este povo. Além disso, eu praticamente vim da roça, comecei ainda pequeno, com uns 8 anos, a cuidar do arado e tocar violão. Gosto muito do homem do campo pela sua sinceridade, sua pureza, sua humildade. Isso faz com que eu o admire e respeite." José Dias Nunes, o Tião Carreiro , Montes Claros, MG, 1934.

    Antônio Henrique de Lima, o Pardinho, São Carlos, SP, 1932.

    Entre as novas duplas surgidas a partir da década de 50, Tião Carreiro e Pardinho São importantes a ponto de Nonô Basílio, caipira compositor e que trabalhou em diversas gravadoras, colocá-los em 1976 no primeiro lugar de sua lista de campeões de vendagem de discos, seguidos por Leo Canhoto e Robertinho e Lourenço e Lorival. quando se formou, em 1956, a dupla já acumulava extensos currículos individuais. Tião Carreiro, com o nome de Zezinho, fizera dupla com lenço verde ; foi também o Palmeirinha, em dupla com coqueirinho ; depois mudou Zé , para fazer dupla com Tietezinho e por fim substituiu Zé carreiro, adotando definitivamente o pseudônimo de Tião Carreiro. Pardinho começara cantando com Miranda, depois fizera dupla com Zé carreiro, vencendo o torneiro de violeiros realizado em 1956 pela rádio tupi de São Paulo. lá foram convidados por Teddy vieira para gravar na Columbia (atual Cs). em seguida Zé carreiro resolveu reviver a dupla com Carreirinho , e Pardinho topou o convite para cantar com Tião Carreiro. seu primeiro sucesso foi cavaleiro do bom Jesus ( João Alves-nhô Silva- Teddy Vieira). passando para a chantecler, a dupla gravou numerosos Lps, e entre seu repertório se destaca a beleza só ponteio, biografia de Tião Carreiro, letra do capitão furtado e música do próprio Tião . em 1970 a dupla atuou como intérprete principal do filme sertão em festa, dirigido por Osvaldo de oliveira . seu maior sucesso avulso é rio de lágrimas ( também conhecido como rio de Piracicaba ) , de Piraci- Lorival dos santos- Tião Carreiro ). e o lp de maior vendagem intitula-se levanta, patrão . Paulatinamente, a industria da produção musical caipira passou a trazer seus efeitos. em primeiro lugar , em contato com o mercado fonográfico, começou a abrir-se a novas influências, provenientes do meio rural de outros países. ("o rural é rural - diria um compositor caipira - no Brasil, nos estados unidos ou na china") . veio a guarânis paraguaia, o boleiro, a influência mexicana pelas canções de Miguel Aceves Majias, e a do meio-oeste americano. o cantor Bob Nelson fez muito sucesso apresentando-se como cow-boy e vertendo para o caipira a musica rural dos estados unidos. 

Dessa forma, embora permanecessem os ritmos caipira - a moda - de viola, o cateretê, o cururu, a cana-verde, a moda campeira e o arrasta-pé -, o gênero estendeu-se muito mais, até incluir degenerações urbanas - como o iê-iê-iê .

 Outra conseqüência da industrialização da música caipira foi a constatação de que seu público era muito pouco sensível a modismos passageiros. os discos do gênero, ao invés de apresentarem uma aguda de vendagem, atingindo o ápice para depois descer para o completo esquecimento, mantêm-se firmes por anos ou décadas, o que. Aliás, demonstra sua radiação cultural muito mais sólida . Por exemplo, Jorginho do sertão e azul cor de anil ( gravada em 1929). Boi amarelinho, em vez de me agradecer (estréia em disco de Tonico e 

Tinoco) e muitas outras produções da década de 30, continuam sendo editadas, com vendagem segura e firme. e não se trata de casos esparsos: Tião Carreiro e Pardinho gravaram quase trinta Lps, e todos eles ainda sustentam vendagem e continuam em catálogo .

    Essa circunstância não atenuou o preconceito das emissoras de rádio, das gravadoras e da TV contra a música caipira. muito ao contrário, logo a manutenção do preconceito se mostraria bastante lucrativa: os artistas caipiras, segredos do restante da música popular, podiam receber menos, garantir a baixo preço boas audiências em horários "infelizes", apresentar-se de graça, em busca de promoção . Empresários ligados a gravadoras continuaram o caminho de Cornélio Pires, mas, levados apenas pelo faro comercial, não arriscariam, preferindo transferir toda a possibilidade do prejuízo para seus contratados, e assumindo apenas os lucros .

    Assim é que promovem caravanas, mas não levam os discos. Levam apenas os artistas que desejam se promover, pagos em comida e alojamento, só depois que estes conseguem prestígio é que promovem a gravação. dessa maneira conseguem shows baratíssimos, para depois editar discos com vendagem já assegurada . E os que cinqüenta anos de fonografia caipira tiveram, em resumo, estas conseqüência, segundo o sociólogo Valdenir "batatais" caldas : · A rápida proliferação das dupla era uma nítida demonstração de que o sucesso discófilo do gênero sertanejo estava assegurado . qualquer investimento nessa modalidade musical significava rentabilidade garantida . e nisso os empresário nunca titubearam. o resultado foi o progressivo crescimento da música "sertaneja" "novo estilo musical" e conseqüente perda de autonomia de seu compositores e cantores, que passavam a produzir não aquilo que sabiam e queriam mas o que lhe era determinado por elementos especializados em mercadologia por elementos "especializados" em detestar o gosto popular.

    Nasce dessa forma, a canção sertaneja de caráter comercial, caráter esse que domina sua existência já desde tenra idade até os dias de hoje . "o meu boi morreu, que será de mim ? " Criou-se a carreira artística de músico caipira, de compositor do interior. e essa carreira precisava ser vivida nas cidades, juntos às gravadoras. Assim, enquanto a industrialização, na região sudeste, deslocava massas agrárias para as periferias das grandes cidades - onde suas formas culturais , arrancadas da origem, permaneceriam como marginais - , também o artista caipira devia deslocar-se de sua base cultural de inspiração para a cerveja das grandes cidades . · me dá uma cerveja .

    Um bar no largo do Paissandu, no centro da capital paulistana, é o ponto de encontro dos caipiras em São Paulo. mais do que por qualquer injunção da indústria fonográfica , seu sucesso depende de abandonarem as raízes .

 

Tião Carreiro e Pardinho, outra vez juntos.

 

Procurar novos caminhos, novas companhias, pode custar o que se fez por toda uma vida. ou melhor, duas vidas. dura lição, se dúvida, mas foi preciso aprendê-la por ousar duvidar. uma das mais tradicionais dupla da música regional brasileira se desfez por alguns caprichos. Uma carreira de quase 50 discos - todos ainda em catálogo - estremeceu. Deu tempo de voltar atrás. o custo: alguns anos atrasos e de sinceras maledicências que não se tornaram públicas . mas tudo voltou a ser como antes .   Tião Carreiro e Pardinho São personagens . O público que compra os discos, que vai aos circos, que faz a fama, não aceitou a separação proposta (exigida?) por uma empresário ávido para fazer Pardinho sair um pouco da sombra de Tião Carreiro acabava impondo. foi há cinco anos. a razão? Tião Carreiro crio o pagode. Um termo que significa dança no interior de São Paulo e no Brasil central. um ritmo alegre, quente, rápido ,que nasceu na década de 50 "cruzando a viola ". "eu sabia disso desde o começo. quase 30 anos de carreira, centenas de gravações fazem a gente saber o que vai acontecer. foi inevitável. 

O público não quis saber das novas duplas que formamos. Vendíamos centenas de milhares de cópias de cada discos, de repente, juntando tudo o que fizemos em cinco anos, não deu cem mil. voltamos atrás, ainda bem ." sóbrio, até demais, Tião Carreiro é quem sempre fala. Pardinho, o pequeno Pardinho, quase escolhido num canto, só concorda, faz acenos de cabeça, discretos. ele é quem mais sentiu a separação. Tião Carreiro conseguiu, por força de seu nome, gravar alguns discos como solista de viola, que teve inúmeros seguidores, dos quais se orgulha . mas fazia falta aquela voz pequena, inconfundível, de Pardinho .

    No final do ano passado, o retorno foi possível. já estava decidido há bom tempo, mas os vínculos com a gravadora de Pardinho impediram que tudo fosse decidido antes. eles não dizem abertamente , mas os pagodes que fizeram nesse tempo da separação não eram tão alegres como os anteriores. agora, na volta, uma promessa solene: "continuar na mesma linha de antes, onde não há só toadas, sem sofisticação, bem de raízes, sem apelação ."apelação, aliás, é uma palavra odiada por Tião Carreiro. Pardinho concorda com a cabeça . fazer o novo disco - e os próximos - como os anteriores, não é parar no tempo? pensar que tudo é como em Araçatuba dos tempos de Palmeirinha e coqueirinho? até hoje a mulher de Tião o chama de Palmeirinha, o segundo nome artístico que ele teve. o real? não importa. "não é nada nisso. não paramos nos tempos. Talvez, ao contrário, estivéssemos adiante. as letras das músicas, quase sempre o Lorival dos santos, um mito da música sertaneja, é quem faz. e não adianta passar pra frente uma música quente se não há uma letra que corresponda a ela. se a música está ligada às raízes, também a letra deve vir das condições do povo". se a parada ajudou os dois a perceberem a importância que um tinha para o outro e reconsiderar as razões dos sucessos que fizeram a fama - juntam-se aí, entre tantos, "rio de lágrimas", "pagode em Brasília", "alma do boêmio", "hoje eu não posso ir" - o novo disco que marcou i reencontro provou as teses, pelo menos eles garantem . e, dessa forma, além dos pagodes, "navalha na carne" traz alguns cururus, balanços e toadas. "um momento lembra Tião. tem também um tango. estranho? no começo nós fomos marcados por isso. foi para lembrar os anos 30 que se passaram. uma experiência - eu não disse que haveria pequenas mudanças - que vale apenas para este disco. com o tempo nós descobrimos que tangos, boleros e guarânias dão dinheiro para as gravadoras, não para nós. ninguém vai em circo para ouvir música lenta, triste. vai ao circo é para cair no pagode. e aí é que ganhamos" .

     Lourival dos santos ficou quieto algum tempo, só ouvindo. mas aí começa a falar, do modo cantado como se recitasse uma poesia que Tião vai musicar. "ele tem razão. suas convicções São firmes. ele acredita no que faz. Na sua música, na minha letra, na primeira voz do Pardinho. que sorte eu tenho em ter o Tião Carreiro prá cantar meus versos .

 

ALMIR SATER

Natural do Mato Grosso do Sul, tocava violão desde criança, mas só foi descobrir a viola caipira - instrumento que o celebrizou - no Rio de Janeiro, aonde foi estudar Direito. Desistiu de ser advogado e foi ter aulas com o violeiro Tião Carreiro. Mais tarde voltou para Campo Grande e formou a dupla Lupe e Lampião. Em 1979 foi para São Paulo e passou a acompanhar cantoras como Tetê Espínola e Diana Pequeno, além de integrar o show " Vozes & Violas". Seu primeiro disco, "Almir Sater", saiu pela Continental em 1981, sendo logo seguido por "Doma", pela RGE. Três anos depois montou a Comitiva Esperança, que viajou pelo pantanal mato-grossense pesquisando a música e os costumes da região. Depois de lançar outros discos e abrir o Free Jazz Festival de 1989, Sater atuou na novela "Pantanal", da TV Manchete, que o projetou nacionalmente, junto com sua música. Em seguida, continuou como ator, estrelando "Ana Raio e Zé Trovão", da mesma emissora. Afastou-se das novelas para se dedicar mais à música, lançando "Terra de Sonhos" em 1994, mas dois anos mais tarde voltou a atuar em "O Rei do Gado", da TV Globo.

 

IVAN VILELA

 

Ivan Vilela, mineiro, é formado em Composição pela UNICAMP.

Fez trilhas para filmes e peças de teatro, e também atuou como diretor musical.

Trabalhou como professor em festivais e ministrou oficinas com assuntos relacionados as violão brasileiro, história da MPB e viola caipira.

Há mais de dez anos pesquisa manifestações da cultura popular em Minas Gerais.

É autor de uma ópera caipira - Cheiro de Mato e de Chão - sobre libreto do poeta Jehovah Amaral.

Como instrumentista, compositor e arranjador realiza um trabalho com viola caipira. Atua também nos grupos Trem de Corda e Ânima. Periodicamente tem feito shows com o violeiro Paulo Freire e acompanhado o cantor e compositor Passoca.

Gravou em 1985 com Pricila Stephan o LP Hortelã - Ivan e Pricila. Em 1994, com o Trem de Corda e o Ânima o CD Trilhas que obteve duas indicações para o Prêmio Sharp 94. Em 97 gravou um CD com o Ânima. Ainda em 97, arranjou e fez a direção musical do CD Beira Mar Novo, do coral Trovadores do Vale, que trabalha com pesquisa e coleta de música da tradição popular do Vale do Jequitinhonha. Assina também a direção musical do CD Crisálida, do violeiro Roberto Corrêa, gravado em 96.

Em julho de 96, com o percussionista Dalgallarrondo e Iara, cantora caiçara do litoral norte do estado de São Paulo, representou o Brasil no Encontro Mundial de Embarcações e Marinheiros Brest 96, em Brest, França.

Atualmente, Ivan Vilela está musicando estórias infantis do escritor Rubens Alves, para a confecção de um CD, além de estar preparando o seu primeiro CD solo, a ser lançado em meados de 1998.

 

ELOMAR (LETRAS )

"(...)Pois assim é Elomar Figueira de Melo: um príncipe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo, a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou "causos" escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste.(...) É...quem sabe não vai ser lá, no barato das galáxias e da música de Elomar, que eu vou acabar amarrando o meu bode definitivo e ficar curtindo uma de pastor de estrelas..."

"Alas qui foi um truvejo. in certa altura da labuta já quaji disurino. Tarei me apeguei cum Deus e cum o dijidoro dum bando de malungo muntemo o mundengo, fumo cunseguino e já cum água na capa da cela cheguemi lá. Nestes termos Zé Nandú, Zé Krau ou Quilimero resumiria o falatório, que se segue. Vendo os janeiros entrando, as canções chegando e sumindo e o encordoamento da goela cansando, me aviei em fazer logo um disco ou dois ou mais. E como fazer isto? Fizeram os gravadoras lá pelas bandas do Sul, muito longe da catinga, cidade grande barulhenta, apertucho muito regulamento elevados documentos na capanga, comida ruim... Não vou não. Resolvo, vou. E os quadros manchetes catidianos registrados pela imprensa? Vou ou não, me difini. Arranjo um "nagra" e vou gravar isto é lá em casa no Rio do Gavião junto dos bodes no meio do chigueiro. Não precisa estúdio; conversa de vaqueiro, cantinga de grilo, budejo de pai-de-chiqueiro se entrar na fita fica, faz parte. E mais cadê o nagra? Nessa enrola um ano se foi. Daí é que dando um pulo a Salvador para u'a cantoria ligeira de fim de ano, e sou que eu desse por fé. Carlos Pita, Alcivando, João Américo, Dércio Marques, Xangai, Fábio, Limonge, Gildásio e Vicente (um bando) já tinham armado a arapuca. Foi só puchar o cipó e de repente me vi enredado na trama de fios do estúdio do Seminário de Música da Universidade da Bahia, o que nos foi concedido pelo seu diretor o Prof. Ernest Wildmer ao qual nesta oportunidade faço meus agradecimentos.

Foram longas horas de estúdio; trabalho pesado, esgotante e o pior, o que dá raiva, são as tais fitas em rolo, é um rôlo, é um rôlo! Quando a gente pensa que "matou" 4 ou 5 canções, Alcivando e João, bradam: grava tudo de denovo (um tal de decapo). Que foi lá? Fitas defeituosas, defeito de fabricação isto é demais, custou muito, não vou gravar essa mundiça mais não. Grava, não grava, enfim ficaram prontos os rôlos. Rôlo brabo foi entrar num avião, cortar o céu e descer naquela galáxia em vias de explosão (S.Paulo)

Virgelino! Ali com o apoio do Sr. Marcus Pereira, conseguiu contrar a prensagem na fábrica de discos Copacabana. Por 8 dias no (S.Paulo) andei naqueles subterrâneos, gargantas e desfiladeiros de paredes verticais. Um mundo perdido carcumido por ventos maleitosos, mortíferas fumaças "estroncios letais", milhões de seres palidos macrobios, uma guerra telúrica. Geraldo um amigo catingueiro que ora sujegado naquele habitat e já portanto afeito ao elemento envenenado foi meu guia enquanto eu errava, me lembrando do Rei Davi, na imensidão daqueles vales onde por vezes eu vi passar de largo a sombra da morte. E parados na sala grande do museu eu vi também os Retirantes de Portinari. No meio d'ua travessia, boquinha-de-noite, sinaleira fechada, uma aflição imensa com medo de não dar tempo; de salto armado e olhos semicerrados a grande alcatéia de monstros prestes desfechar o salto e esfarelar a gente. No meio da tribulação me lembrei de Remundo, no esfregas dos olhos vi no fim do mundo no ermo as ruas desoladas e dos casarões entravam e saiam ratos, cobras, morcegos e corujões... como disseram os profetas hebraicos.

Dai, veio o rôlo derradeiro, foi um tumba, a capa, dos discos. Foi com menos sofrimento já estava na Bahia. Com um grande lãinna pesada a Planus Propaganda meou e finalizou a arte. Um bando de malungo, realmente, mil vaquêro internado nos serrado de jurama campiano trem alevantado.

Nunca pretendi fazer disco adereçado de altos requintes técnicos tão somente a pura e simples documentação de meu trabalho sem que turbe o espírito das coisas e do lugar donde ele saiu. Este disco foi feito a facão, no Nordeste, com o digitoro de muitos amigos, o sacrifício meu e de minha mulher e sobre todas as coisas, com o consentimento de Deus.

Estes cantares e estes falares são lembranças que a catinga agradecida manda para o amigo Henfil"

Elomar - Apresentação de Na Quadrada das Águas Perdidas

 

"Num certo dia do saudoso 91, pensamos em escolher um bom punhado de canções dentre as óperas que compomos e as que ainda estão sendo partituras. Seriam então gravadas em disco nas vozes qualificadas de cantores convidados, líricos e populares, com orquestra e tudo, conforme as partituras originais. Mas, é que iria ficar tão bonito, tão caro, tão difícil..., tão duro, tão sem bufunfa que estou e portanto, tão impossível pelo tão duro que estou que até passei a admitir decisivamente, que se foram para sempre e para nunca mais a quadra das vacas gordas. Povoadas de bens na grande fartura de valores que sustentavam a inteireza do cimento que por muito tempo estruturou a sociedade dos homens, ora apodrecia... Eh! dêxa pra lá. pois diante desta verdade e de outras saudades, nem dá pra chorar!

Fomos então á Bahia Grande ou melhor, ao Baião, segundo o saudoso menestrel e Rei deste, eu e o querido João Omar. Ali nos estúdios do cavaleiro Cacalieiri eu e ele, vozes e violões, se me nos viramos em baixos barítonos, tenores, contraltos e sopranos e gravamos estas árias do sertão com a precípua e quase que única finalidade de levar até aos malungos que acompanham nossa peregrinação, uma pequena amostra de nossa música mais nova. E mesmo porque tenho muito me preocupado com o fato de que hoje, só consegui registrar em disco cerca de 15 por cento da música composta. Pelo que, só ficam os cúmplices privados de ouvir o grosso de um trabalho terrivelmente pobre-paupérrimodestituído de toda e qualquer inhaca de coisa de gringo, como também me aflijo e na maior das solicitudes desmanchando o tempo e assassinado as horas e se me virando pra vender um pedaço da lua de mais ou menos um quilo e meio que caiu bem no terreiro de casa. Todo esse rôlo objetiva em 93, a gravação maciça de pelo menos duas óperas: A CARTA e O RETIRANTE, cinco ANTÍFONAS e dois GALOPES E ESTRADEIROS. Todo este rôlo redunda também em pelo menos nove longuepleis. Me arreceba, serão muitas arrôbas de pedaços de celenitas que terei de achar caídos no terreiro daqui de casa.

E, para que não fique pairando no ar, cara a cara com cada recém aterrissada ária, e ainda sustentado o velho estilo, uma a uma ao ruflar das asas e a medida em que vão pousando em vossos ouvidos, vo-las apresentemos: Ei-las:"

Introdução assinada por Elomar, contida no encarte do Cd Árias Sertânicas

 

A Meu Deus um Canto Novo(Elomar)

Bem de longe na grande viagem /Sobrecarregado paro a descansar,
emergi de paragens ciganas/pelas mãos de Elmana, santas como a luz
e em silêncio contemplo, então/mais nada a revelar
fadigado e farto de clamar às pedras/de ensinar justiça ao mundo pecador
oh lua nova quem me dera/eu me encontrar com ela
no pispei de tudo/na quadra perdida
na manhã da estrada/e começar tudo de nôvo
topei in certa altura da jornada/com um qui nem tinha pernas para andar
comoveu-me em grande compaixão/voltano o olhar para os céus
recomendou-me ao Deus/Senhor de todos nós rogando
nada me faltar/resfriando o amor a fé e a caridade
vejo o semelhante entrar em confusão/oh lua nova quem me dera
eu me encontrar com ela/no pispei de tudo
na quadra perdida/na manhã da estrada
e começar tudo de nôvo/bôas novas de plena alegria
passaram dois dias da ressurreição/refulgida uma beleza estranha
que emergiu da entranha/das plagas azuis
num esplendor de glória/avistaram u'a grande luz
fadigado e farto de clamar às pedras/de propor justiça ao mundo pecador
vô prossiguino istrada a fora/rumo à istrêla canora
e ao Senhor das Searas a Jesus eu lôvo/levam os quatro ventos
ao meu Deus um canto nôvo

Arrumação(Elomar)


Josefina sai cá fora e vem vê/olha os fôrro ramiado vai chovê
vai trimina riduzi toda a criação/das banda da lá do ri Gavião
chiquêra prá cá já ronca a truvão/futuca a tuia, pega o catadô
vamo plantá feijão no pó/Mãe Purdença inda num culheu o ai
o ai rôxo essa lavora tardâ/diligença pega panicum balai
vai cum tua irmã, vai num pulo só/vai colhê o ái, ái ds tua avó
futuca a tuia, pega o catadô/vamo plantá feijão no pó
luã nova sussarana vai passá/"sêda branca" na passada ela levô
ponta d' unha lua fina risca no céu/a onça prisunha a cara de réu
o pai do chiquerô a gata comeu/foi um truvejo c'ua zagaia só
foi tanto sangue de dá dó/os ciganos já subiro bêra ri
é só danos todo ano nunca vi/paciência já num guento a pirsiguição
já sô um caco véi nesse meu sertão/tudo qui juntei foi só prá ladrão
futuca a tuia, pega o catadô/vamo plantá feijão no pó

 

Cantiga de Amigo(Elomar)

Lá na casa dos Carneiros/Onde os violeiros vão cantar louvando você
Em cantiga de amigo/Cantando comigo somente porque você é
Minha amiga, mulher/Lua nova do céu que já não me quer
Dezessete é minha conta/Vem amiga e conta uma coisa linda pra mim
Conta os fios dos teus cabelos/Sonhos e anelos
Conta-me se o amor não tem fim/Madre amiga é ruim
Me mentiu jurando amor que não tem fim/Lá na casa dos Carneiros
Sete candeeiros iluminam a sala de amor/Sete violas em clamores, sete cantadores
São sete tiranas de amor para a amiga/Em flor
Que partiu e até hoje não voltou/Dezessete é minha conta
Vem amiga e conta/Uma coisa linda pra mim
Pois na casa dos Carneiros/Violas e violeiros
Só vivem clamando assim/Madre amiga é ruim
Me mentiu jurando amor que não tem

 

Cantiga do Boi Incantado - Elomar

Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá/Ê boi quem havera de pegá

Na mia vida de vaquêro vagabundo/já nem dô conta dos pirigo qui infrentei
apois aqui das nação de gado qui ai no mundo/num tem um só boi qui num peguei

Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...

Eu vim de longe, bem pra lá daquela serra/qui fica adonde as vista num pode alcançar
ricumendado dos vaquêro de mia terra/pra nessas banda eles nóis representar
alas qui viemo in dois eu e mais Ventania/o mais famado dos cavalo do lugá

Meu sabaruno rei do largo e do grotão/vê si num isquece da premessa qui nóis feiz
naquela quadra de terra, laço e moirão/na luz da tarde os olhos dela e meu cantá
a mais bunita de brumado ao pancadão/juremo a ela viu ti pegá boi aruá

Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...

De indubrasil nerol' xuite guadimá/moura junquêro pintado nuve e alvação
junquêro giz pé duro landrêis malabá/pintado laranjo rajado lubião
boi de gabarro banana môcho armado/de curralêro ao levantado barbatão

De todos boi qui ai no mundo já peguei/afóra lá ele qui tem parte cum cão
o tal boi bufa cum este nunca labutei/e o incantado qui distinemo a pegá
Pra nóis levá pras terra daquela donzela/juremo a ela viu te levá boi aruá (bis)

Ê Ê Ê Ê Ê Ê ... boi incantado e aruá...

 

Clariô - Elomar


Ai clariô, ai clariá/é a claridade / da barra do dia / que vai chegá

Ai clariô, ai ai clariô 2X

Purriba do lagêdo o luá chegô/ja cá na Cabicêra a função pispiô
amiã cedo a lua já entrô/eu vô passá a noite intêra
cantano clariô/E eu qui vim só
só pra vê meu amô/sei que vô ficá só
pois ela num chegô/Ai clariô, ai ai clariô

As baronêsa já abriu as fulô/nos catre e nas marquêsa as figura sentô
a pé de bode abriu asa e cantô/nas baxa e nas verêda seu canto raiô

E eu qui vim só/só pra vê meu amô
sei que vô ficá só/pois ela num chegô

Ai clariô, ai ai clariô

 

Curvas do Rio - Elomar


Vô corrê trecho / Vô percurá u'a terra preu pudê trabaiá
Pra vê se dêxo / essa minha pobre terra véia discansá
Foi na Monarca / a primeira dirrubada
Dêrna d'intão / é sol e fogo é tái d'inxada

Me ispera, assunta bem / inté a boca das água qui vem
Num chora, conforma muié / eu volto se assim deus quisé

Tá um aperto / mais qui tempão de Deus no sertão catinguêro
Vô dea um fora / só dano um pulo agora in Son Palo Triâng' Minêro
É duro moço / esse mosquêro na cozinha
A corda pura / e a cuia sem um grão de farinha

A bença, afiloteus / te dêxo intregue nas guarda de Deus
Nocênça, ai sôdade viu / Pai volta prás curva do rio

Ah mais cê veja / num me resta mais creto prac um furnecimento
Só eu caino / nas mãos do véi Brolino mêrmo a deis pur cento
É duro moço / retirá prum trecho alei
C'ua pele no osso e as alma nos bolso do véi

Me ispera, assunta viu / sô imbuzêro nas bêra do rio
Conforma, num chora mulé / eu volto se assim Deus quisé
Num dêxa o rancho vazio / eu volto prás curva do rio

 

Xangai (Eugênio Avelino)

"Xangai, um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescentes que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumás cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu(...)"

 

 

 

 

Vital Farias

 

Vital Farias, Mestre Vital como o chamam alguns dos grandes cantadores do Brasil, nasceu em Taperoá, sertão da Paraíba. Caçula de 14 irmãos, passou sua infância na roça, aprendeu a ler com as irmãs através da literatura de cordel e cresceu em contato direto com as tradições, a história, a cultura, as alegrias e dificuldades do sertanejo.

Aos 18 anos, Vital que já começara a estudar violão sozinho, foi para João Pessoa servir ao Exército, lá teve a oportunidade de assistir a apresentações musicais de todos os estilos, da música erudita à popular. Nessa época fez parte de alguns conjuntos musicais, incluindo um que fazia imitação dos Beatles.

Autodidata, tinha um bom conhecimento musical, trazido em parte da tradição musical que já acompanhava sua família, começou a dar aulas de violão e teoria musical no Conservatório Musical de João Pessoa.

Em 1975 foi para o Rio de Janeiro onde em 76 passou no vestibular para a Faculdade de Música. Nesse período intensificou o contato que já mantinha com o teatro, cinema e outros cantadores, e fez alguns trabalhos com grandes gravadoras, quando pode perceber que este esquema comercial não permitia ao artista a liberdade necessária para a criação de sua obra.

Paralelo às atividades artísticas Vital sempre estudou muito História, Política, Filosofia e teve na Literatura de Cordel uma fonte constante de conhecimento e cultura. Apesar disso, segundo ele, o mais importante em sua obra são as coisas que nasceram com ele, e que o tempo e o estudo se encarregaram de elaborar, amadurecer e trazer à consciência.

Autor de um trabalho secular, no sentido em que reflete as experiências e histórias ouvidas de seus pais, que nasceram no começo do século, Mestre Vital é um dos grandes representantes do povo sertanejo, trazendo em suas canções a voz de clamor e protesto contra as dificuldades e injustiças a que o homem da roça está submetido neste país das diferenças...e indiferenças.

Seu trabalho mais conhecido pelo público foi gravado ao vivo em parceria com Elomar, Xangai e Geraldo Azevedo: As Cantorias 1 e 2. Nelas se encontram verdadeiras histórias do sertão brasileiro, como a Saga de Severinin e a Saga da Amazônia, além das belíssimas Cantilena de Lua Cheia e Ai que Saudade de Ocê.

Depois desse trabalho Mestre Vital não gravou mais nenhum trabalho próprio, restringindo-se a participações em discos de alguns companheiros.

Entretanto este período foi muito fecundo e proveitoso a nível de pesquisa e criação. Vital promete para breve o lançamento de 4 CD's, resultantes destes anos, um deles, A Epopéia Negra, que narra a história de Mussabá, é uma obra poético musical teatral de uma hora de duração sem interrupção e fala do sofrimento milenar do negro. Estas obras serão o primeiro lançamento do selo MBC, Música Brasileira Contemporânea, um selo ético (que também é fruto desse período de estudo e reflexão) incorruptível a nível de crivo, qualidade e comprometimento com a música brasileira... Aguardem e continuem nos visitando pois logo que este trabalho sair do forno será servido aqui de primeira mão.

 

Ai que Saudade de Ocê - Vital Farias

(F/A    C)
Não se admire se um dia / um beija-flor invadir

a porta da tua casa / te der um beijo e partir
   A     Dm
fui eu que mandei o beijo / que é pra matar meu desejo
    G/B       F/A  C
faz tempo que eu não te vejo / ai que saudade de ocê
 

(F/A    C)
Se um dia ocê se lembrar / escreva uma carta pra mim

bote logo no correio / com frases dizendo assim
   A     Dm
faz tempo que eu não te vejo / quero matar meu desejo
    G/B       F/A  C
te mando um monte de beijo / ai que saudade de ocê
 

(F/A    C)
E se quiser recordar / daquele nosso namoro

quando eu ia viajar / você caía no choro
   A     Dm
eu chorando pela estrada / mas o que eu posso fazer
    G/B       F/A  C
trabalhar é minha sina / eu gosto mesmo é de ocê

(F/A   C)         (D#   D    C) 2X

 

Cantilena De Lua Cheia - Vital Farias
 
  D  G  D  G
         Deus esteja nessa casa /  em formato e coração
     Em  F#m Bm  D Bm A
         coração feito um menino / nordestino o destino

  D  G  D  G
         Na janela um pé de rosa / beija flor beija o quintal,
     Em  F#m Bm  D Bm A
         bem te vi, te vi, te vejo / que o desejo é natural

 (D4  Dm)         C    Dm
         Companheiro, camarada / Nessa estrada da canção
 (D4  Dm)         C    Dm     (D4 Dm) C Dm ( A )
         cantilenas, dissabores / e os amores vãos                 ---> 2ª vez - fim

  D  G  D  G
         Violeiro quando toca / as cordas do coração
     Em  F#m Bm  D Bm A
         ficam presas entre abraços / nos acordes na canção

  D  G  D  G
         Vem que a lua já é cheia /  tece a veia inspiração
     Em  F#m Bm  D Bm A ( A7 )
         passa a lenta a passarada /  passará não passarão

 C D G D
         Cantilena de lua cheia
 C D G D
         Cantilena de lua cheia
  C G D A D
         Cantilena de lua, de luar, de lua cheia.
  C G D A D  ( A )
         Cantilena de lua, de luar, de lua cheia.

 

Era Casa Era Jardim - Vital Farias
 

C   G
Era casa era jardim
C   G
Noites e um bandolim
 F  G/B
Os olhares nas varandas
 G  Am
E um cheiro de jasmim
 F/A G/B C
Laiiá laiá laiá laiá laiá     2X
 

C   G
Era um telhado um pombal
C   G
Melodia e madrigal
 F  G
E ninguém nem percebia
 F  G/B
Que o real e a fantasia
 G  Am F/A G/B C
Se separam no final
 

 C   G
Nunca mais se abriu janela
G/B  `F
Pra ver donzela
 G F C
Tão linda,       tão bela
 

 C   G
Nem nunca mais barco a vela
G/B        F
Ou caravela
 G    F
Canções de amor
 C
Muita música
 

C  G F C
Era casa era jardim...       era...

 

Veja (Margarida) - Vital Farias

(C    F/A)
Veja você

Arco-íris já mudou de cor
     Am
Uma rosa nunca mais desabrochou
   G
Eu não quero ver você
 

    (C    F/A)
Com esse gosto de sabão na boca

Arco-íris já mudou de cor
     Am
Umas rosa nunca mais desabrochou
   G
Eu não quero ver você
G7
Eu não quero ver
 

(C    F/A)
Veja meu bem

Gasolina já subiu de preço
       Am
Eu não quero nunca mais seu endereço
   G
Ou é o começo do fim ou é o fim
 

(C    F/A)
Eu vou partir pra cidade garantida, proibida
       Am
Arranjar meio de vida, Margarida
G   (C    F/A)
Pra você gostar de mim

E essas feridas da vida, Margarida
      Am
E essas feridas da vida, amarga vida
G
Pra você gostar...

2ª vez: C  F/A  C  Am    G           F          C    F/A    C
         Pra você gostar de mim...
 

 

Saga de Severinin(Vital Farias)

Peço a atenção dos senhores

Pra história que eu vou contar

Falo de Severinin lavrador tão popular

Que morava numa palhoça

E cultivava uma roça perto de Taperoá

E Severinin todo dia lavrava a terra macia

E terra lavrada é poesia

Mexe com mão na terra

Sobe esta serra corta esse chão

Planta que a planta ponte

Por esses montes lã de algodão

Severinin vivia até feliz

Enchendo os olhos com bem d'rais

E mesmo a plantação tava bonita em flor

E ao seu lado a sua companheira

Tinha o seu amor

Mas como diz o ditado e haverá de se esperar

Depois de tudo plantado

Fazendeiro pede pra Severinin desocupar

Já tinha até fruta madura

Jirimum enrramando no terreiro

E tinha até um passarinho

Que além de ser seu vizinho

Ficou muito companheiro

Chega tanta incerteza

A alma presa quer se soltar

Luta, luta sozinho

Qual o caminho de libertar

Severinin ficou sozinho e só

Ingratidão não pode suportar

Correu para o sul

De uma vez por todas

De uma vez por todas

Desabar

 

Trecho da música "Moelão Paulista",que está no Cd "Viola Tropeira" de Ricardo Anastacio a venda pelo  pelo email violatropeira@terra.com.br ou pelo fone: 15 9701-7068             Chat aos domigos à partir das 15h para tirar dúvidas sobre viola            Aulas online        Métodos de Viola com Cd de Rítmos e Ponteados

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